O lerdão e a ventania

O fato a seguir aconteceu em São João da Serra-MG alguns anos atrás…

São João da Serra é um lugarejo com pouco mais de 300 casas (é mais fácil contar as casas do que a população em si). Fica a 50 Km de Juiz de Fora. É a terra natal da minha mãe e um verdadeiro celeiro de casos engraçadíssimos que tive a honra de vivenciar nas inúmeras férias que passei por lá…

Era o mês de julho.. havia uma festa na Usina, um lugarejo que ficava a 3 Km da Serra. No interior é assim: sempre que tem alguma festinha em um lugar todos da região vão pra lá. E nesse dia não foi diferente. A rapaziada toda da Serra desceu pra Usina para tomar uma cervejinha e conferir o movimento…

Entre os moradores da Serra, temos verdadeiras “figuras”. Uma delas é o Rato Branco (acho que o nome verdadeiro é Luis, mas não tenho certeza). Ele é o responsável por eternizar a frase “esse é o famoso lerdão”, toda vez que alguém comete algum vacilo.

Chegando lá ele não perdeu tempo. Começou a chapar uma “cana” atrás da outra. Não demorou muito já estava dando “azia” querendo voltar pra Serra, tentando animar alguém a dar uma carona pra ele. Como ninguém deu muita confiança ele resolveu ir a pé mesmo.

É um caminho tranquilo.. uma estradinha de terra que só levava pra um lugar. Não teria como ele errar o caminho. E assim ele foi.. cambaleando um pouco mas com o mínimo de consciência para chegar em casa. Rapidamente ele sumiu na escuridão da estrada..

A festa continuava normalmente.. e para a surpresa de todos depois de meia hora o Rato apareceu de novo.

Com cara de espanto, ele chegou até a gente e indagou: “uai lerdão, ocês já chegaram na Serra?”. Não tinha como a gente segurar o riso.. dissemos a ele que nem tínhamos saído do lugar.. que estávamos na Usina ainda..

Ele estava inconformado. Dizia que a gente estava fazendo hora com a cara del.. que fomos pra Serra e não demor carona pra ele. Ficou pensativo tentando entender o que aconteceu e depois de muito esforço veio uma luz na sua mente e ele se recordou do que podia ter saído errado: a hora que parou para acender o cigarro.

No meio do caminho ele decidiu parar para fumar um pouco. Na escuridão total tentava sem sucesso acender o cigarro com o isqueiro pois o vento não deixava o cigarro acender. Na tentativa de conter o vento um pouco, ele foi se virando de costas, dobrando os ombros, quase encostando o isqueiro no peito. Com muito custo conseguiu acender o cigarro, mas nesse movimento todo ele girou 180 graus. Sem perceber, já que estava no escuro e bêbado igual uma porca, quando continuou a caminhada voltou pelo caminho que já havia percorrido, voltando pra onde tinha saído.. rs

Parece mentira, mas na Serra tudo é possível.. :)

Autor: Giovanni Gomes

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